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Entrevista com o criador de Capitão São Paulo

Eu conheço o Eric Lovric desde que nós éramos pequenos. Para falar a verdade, desde que nós tínhamos uns três ou quatro anos. Ele sempre gostou de desenhar, de assistir desenhos animados e aqueles filmes japoneses onde o herói combatia monstros gigantes e muito estranhos, como o Ultra Seven, por exemplo.

Eu costumava ir na casa dele e assistir o Ultraman ou o Speed Racer (eu na verdade queria assistir Bambalalão), e depois eu ficava impressionada com aqueles bichos gosmentos que o Ultraman destruía.

O Eric vivia cheio de cadernos desenhados, criava personagens, monstros, histórias em quadrinhos, um universo inteiro. Eu ia no embalo e também criava minhas próprias histórias, e depois tentávamos vender os quadrinhos para a vizinhança. Me lembro até hoje da minha avó, dizendo: “Nossa, esse menino é um artista mesmo”.

Mas num belo dia ele chegou e me disse: “Vou parar de desenhar”. Confesso que fiquei muito surpresa com aquela decisão radical, já que, pra mim, desenhar, criar personagens e contar histórias era a coisa que o Eric mais gostava de fazer.

Mas enfim, lá se foi ele pelo mundo, viver suas próprias aventuras e confusões. Muitos anos depois, eu estava morando e estudando na França. Certo dia, numa sala de computadores que precisava dividir com vários estudantes para ler meus emails e me conectar com o resto do mundo, recebo uma mensagem do Eric: “Voltei a desenhar! Chegou a hora de criar as minhas próprias animações.”

E dali foram surgindo o Jimmy Jazz, o Capitão São Paulo, o Gilson… Personagens que, de um certa maneira, têm todos um pouquinho do Eric. Irreverência, sarcasmo e uma capacidade incrível de rir e de tirar um sarro dos aspectos mais corriqueiros da vida.

Gilson, O Chatão

Então, abra os olhos e os ouvidos! Vamos conversar com o Eric Lovric um pouquinho e tentar compreender como ele olha e enxerga o mundo.

Eric, o último episódio do Gilson o Chatão, Infinita Highway Gilson, ficou muito engraçado. Além da situação muito cômica, me chamou a atenção o visual da cidade. Pensando neste episódio, e fazendo uma relação com o conjunto do seu trabalho, gostaria de abordar dois aspectos que me parecem muito importantes. O primeiro é a forma que toma a cidade nas suas animações e desenhos. Já no Jimmy Jazz isso fica muito claro, a cidade vista sob uma perspectiva toda distorcida, com linhas convergentes. Os planos que você faz de São Paulo mais a utilização de cores quentes criam uma atmosfera um pouco surreal, estranha mesmo, conferindo um olhar bastante subjetivo da cidade. De onde vem essa sua percepção da cidade?

“Uma vez, uma amiga francesa que estava morando aqui me fez uma pergunta que ninguém jamais me havia feito:“como você vê São Paulo?”

Achei a pergunta extremamente profunda e pertinente. Afinal, precisamos ter uma noção muito boa do lugar em que vivemos. E então comecei a tentar entender São Paulo através de sensações ao invés de racionalmente. Será que eu gosto daqui, ou só estou acostumado? Essas coisas…

Sempre achei que a arte exprime sensações melhor que palavras. Lógico que tem a poesia e a música, mas não sou poeta, e sou melhor desenhista do que músico. Então, deixei a arte falar. E o que saiu foi isso.

Se você pegar as formas da cidade nos primeiros episódios da série, verá que todas as linhas são retas. Depois tudo foi entortando, entortando e agora, as formas parecem saídas de um pesadelo. Mas aí essas formas contrastam com a ação, as piadas e as cores quentes. E aí consegui minha resposta para a questão proposta pela minha amiga. São Paulo não é bonita, mas é charmosa. Desgastante, mas generosa. Imponente e bucólica ao mesmo tempo. São Paulo é surreal”.

Outra coisa que vejo no seu trabalho é a influência do cinema e da música. Você já chegou a criar uma história a partir de uma música? E como se dá essa relação entre o cinema, a música, e o seu trabalho?

“A função primordial da animação é a de levar a câmera onde o cinema convencional não consegue. Hoje, existe a animação digital, o que é mais animação do que cinema, logo, a regra deveria parecer irrefutável. Mas não parece. Porque as pessoas vêem o Homem Aranha se balançando entre os prédios de forma ultra-realista e se esquecem que estão vendo uma animação.

Como a revolução digital virou tudo de cabeça para baixo, achei interessante ver o que acontecia quando se quebra a máxima primordial da animação. Então comecei a imaginar as histórias contadas como um filme, não desenho. Por isso, acho que nunca assisti a tantos filmes quanto hoje, à cata de referências.

Já com a música é outra história…

Acho que de todas as artes, foi a que mais consumi. Mesmo até mais que animação, se pãs… E talvez por isso, seja o que mais me inspire na hora das novas idéias. Existem dois tipos de criação comigo. Um, escuto a música, tenho uma sensação ou idéia que uso como ponto de partida. Outro, escrevo a história já imaginando quais músicas podem me ajudar a evocar essa ou aquela sensação. Acho que por isso me apaixonei por animação e não quadrinhos. Aos três anos, descobri os Impossíveis. Roqueiros que se transformavam em super-heróis. Eu era doente por aquele troço. Depois rodei, rodei e caí exatamente onde tinha começado. Super-herói e música”.

Por fim, existe algum artista ou animador no Brasil, hoje, que você considere como muito bom?

“Pra mim, os Gêmeos (grafiteiros) são os maiores artistas da minha geração. É tamanha coincidência que tenhamos nos conhecido aos cinco, seis anos e tenhamos passado uma parte considerável da infância juntos, desenhando os heróis japoneses que você mencionou. E digo coincidência porque não acho que nossa convivência tenha contribuído nem para que eu começasse a desenhar, nem para que eu prestasse mais atenção no trabalho deles. Mas, enfim, não preciso ficar dizendo o quanto os caras são bons”.

Pois é, o trabalho dos gêmeos grafiteiros também é muito bom, vamos falar deles num próximo artigo.

Agora aproveitem as animações do Eric e dêem uma olhada no site dele. Recomendo os episódios O Dia da Barata, Infinita Highway Gilson, Jimmy Jazz… São tantos bons e engraçados que fica difícil escolher, deixo para vocês, aproveitem:

http://capitaosp.uol.com.br/

Até mais,

Betânia

Infinita Highway Gilson

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